ILHA FOI DEVASTADA POR TEMPORAL EM 1838 – Blog do Carlos Damião

Carlos Damião recebeu “do amigo Paulo Dutra, que recebeu de outras pessoas, um texto muito interessante, extraído da Memória Histórica da Província de Santa Catarina, obra escrita pelo major Manoel Joaquim de Almeida Coelho em 1856 e reeditada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina em 2005”. Para ler na fonte, clique aqui.

"No ano de 1838, nos dias 9, 10 e 11 de março foi a Ilha, e toda a costa da Província acometida de um temporal de chuva e vento da parte de leste tão rijo, que abriu enormes rasgões pelos morros, quase toda a lavoura ficou rasa; todas quantas pontes haviam desaparecido; na capital rebentaram olhos d’água mesmo em terrenos muito elevados, algumas casas foram arrasadas e conduzidas ao mar pela força das águas; na Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades, mais conhecida por Santo Antônio, desapareceu a casa, aliás bem construída, do tenente Joaquim José da Silva, e conjuntamente com ele ficou sepultada toda a sua família composta de onze pessoas; na Várzea do Ratones outra casa com a família de João Homem teve a mesma sorte; em outros lugares da província consta que houveram outras vítimas. O mar tornou-se, em grande distância da terra, vermelho de muito barro que recebeu; e mal se viu boiar em algumas partes animais, ou a fortuna de muitos lavradores. Muitas famílias ficaram reduzidas a penúria e miséria. Embarcação houve no porto da cidade, que virou a quilha por cima. No último dia, porém, permitiu a Suprema Providência que começasse a acalmar o temporal, e só assim porque a continuar por mais 48 horas, de certo apareceriam depois sobre a costa, especialmente da capital, só montões ou ruínas, e tal qual edifício. Mal se pode calcular o Prejuízo da Província, e menos julgar o valor das terras que se tornaram inúteis. Por Decreto da Assembléia Legislativa da Província n. 89 de 7 de abril desse ano foi a Câmara Municipal da capital favorecida com um suprimento para remediar os estragos mais sensíveis; e o digno deputado à Assembléia Geral Jerônimo Francisco Coelho pode ali obter que o Governo Imperial mandasse repartir pelos habitantes, a quem o temporal reduzira a penúria, 40 contos de réis; infelizmente, porém, é sabido que só vieram 20 contos, e que estes mesmo tiveram outra aplicação, muito distinta daquela que foram destinados".

Trechos do texto reforçam a informação dada pelo Alexandre Garcia, a respeito das terras de aluvião do leste de Santa Catarina, que ciclicamente sofrem deslizamentos. Em 1838 “abriu enormes rasgões pelos morros” tal como aconteceu em 2008.

E a atualidade do final do texto escrito em 1856 é estarrecedora. Tal como os 40 contos de réis (réis=plural castiço de real, nossa moeda atual), o presidente Lula assinou medida provisória de R$ 1,6 bilhão, do qual apenas R$ 40 milhões haviam sido “carimbados” até ontem, e nada chegou até hoje.Esperamos que não tenham “outra aplicação, muito distinta daquela que foram destinados”.

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2 Responses to ILHA FOI DEVASTADA POR TEMPORAL EM 1838 – Blog do Carlos Damião

  1. O post acima foi feito no dia 05/12 com o devido crédito à fonte – Blog do Carlos Damião, que no texto publicado em 01/12/2008 revela a sua fonte, o fotógrafo Paulo Dutra, que o recebeu de amigos.
    No mesmo 05/12 o texto foi publicado no Blog do Canga e no jornal Folha Barriga Verde (a ela enviado por Ernesto São Thiago).
    No mesmo dia que postei em meu blog, enviei por e-mail aos amigos Décio e Ozias do JB Foco, que o publicaram em 08/12/2008 (hoje), com meus comentários a respeito da atualidade do texto.
    O achado do Paulo Dutra e amigos está tendo a atenção que merece, seja nos blogs, seja na imprensa escrita.
    Reitero os agradecimentos ao Carlos Damião, extensivos ao Paulo Dutra.

  2. Fico feliz que o texto de Manoel Joaquim de Almeida Coelho, que fiz circular em 02.12, enviando-o a diversos formadores de opinião tenha ganho a internet em geral, inclusive o hotsite da RBS sobre as enchentes “SOS Santa Catarina”.

    Eu havia comprado o livro no IHGSC poucos dias antes para pesquisar um fato histórico relacionado à Guerra dos Artigas: a prisão de Andrezito Artigas no RS, em 1819, por meu pentavô, o manezinho nascido em Desterro em 1794, Joaquim Antônio São Thiago, registrada pelo autor quando no livro trata da memória histórica do Regimento Barriga-Verde, que meu pentavô integrava à época como sargento.

    Quando deparei-me com o relato do temporal de 1838 não tive dúvidas em digitá-lo e encaminhá-lo por e-mail. A primeira pessoa a receber minha mensagem foi o colunista Moacir Pereira, mas acredito que quem a fez circular foi o Mário Motta. Um jornal de Biguaçu também publicou o texto, encaminhado pela ACATMAR, entidade para a qual eu também o havia enviado na qualidade de associado.

    Enfim, o importante é o texto circular, especialmente pelo que trata em seu final…

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