Li o texto abaixo, ao qual coloco apenas a ressalva contida no título deste post.
É de autoria do poeta, prosador, Secretário da Cultura e Presidente da Gazeta e da TV Cultura, Jorge da Cunha Lima. Para ler na fonte, clique aqui !
“SÃO PAULO, A CIDADE MAIS CARA DO MUNDO
O que determina se um empreendimento imobiliário vai dar certo numa cidade americana é uma placa indicando que ali se está edificando um PUBLIX, uma das maiores redes de super mercado. A comida é o shopping básico do americano, apesar do amplo espectro do desejo de consumo dessa sociedade.
O salário mínimo nos EUA é determinado pelo valor da hora de serviço e não do pagamento mensal. No resultado é muito mais que o dobro do salário mínimo brasileiro.
O preço dos produtos no Publix, contudo, é muito menor do que o dos supermercados brasileiros. Refiro-me a produtos de alimentação de nível corrente e produtos sofisticados e mesmo importados.
A exceção de frutas fora da estação e da carne vermelha tudo é mais barato. Tem camarão de todo tamanho, com casca, sem casca, pré-cozido, da melhor qualidade , a cinco dólares o quilo. O pão custa a metade do preço, e quando o Publix aumenta cinco cents, o consumidor americano vai comprar noutro mercado. Minha filha avalia que o preço dos produtos indispensáveis, embora diversos dos indispensáveis brasileiros, é, no mínimo 40% mais barato. Se falarmos em produtos importados o preço é de cair o queixo. Uma cava, o champagne espanhol, custa 9 dólares. Uma Taitenger Brut Imperial, francesa custa 34 dólares, no Brasil custa 200 reais. Não quero consolar Maria Antonieta com o preço baixo das brioches, mas me indagar, como um mercado ainda pobre como o brasileiro, onde o salário mínimo é ridículo, pode pagar tão caro o produto básico e contemplar o governo com taxas tão absurdas de importação. Já rodei boa parte do mundo, como jornalista. Não tenho a menor dúvida: São Paulo é a cidade mais cara do mundo: Transporte, porque não há transporte público. Comida, apesar da inflação contida. Bebida, porque há monopólio de distribuição. Água mineral custa mais cara do que um litro de petróleo importado da Arábia Saudita. Importados, porque além da taxa se acrescenta 200% de lucro. Pão, porque não produzimos farinha. Carne, porque, paradoxalmente, somos o maior produtor do mundo. Hotéis, porque pagamos em Euros, como se fossemos todos do Mercado Comum Europeu. Restaurantes, helás, porque temos os melhores e mais caros restaurantes do mundo. Sapatos, porque sai mais barato comprar um sapato de fabricação brasileira em Nova York. A única coisa nos EUA cujo preço equivale ao brasileiro é a caipirinha.”
Se o autor compasse os preços com outras cidades de nosso BRASIL , ficaria estarrecido !